Um ser estranho habitou meu quarto por vários dias. Grudado ao meu mural de fotos, misturava-se às minhas lembranças (felizes, e algumas, talvez, infelizes). Mal se movia, não sei se se alimentava. Mas gostei dela ali, me olhando. Uma importante sensação de segurança, enquanto velava meus atos. Espero que, ao sumir, não tenha morrido, a pobre pequena lagartixa.
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Durante o dia, na rodovia, o caminhão de refrigerantes perdeu parte da carga. Adoçou a vida dos transeuntes, também ladrões, que passavam pela via. Durante a noite, na avenida, o caminhão de cervejas perdeu parte da carga. Amargou a vida dos boêmios que aguardavam sua chegada.
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Ontem pela manhã, a estrada e encompridava cada vez mais, enquanto o sol encompridava os raios no céu. Sensação estranha: o céu me lembrava um desenho animado.
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À noite, palestra, passeio, permanência. A menina do P me acompanhou. Gostei da companhia. Não se ela diria o mesmo. Noite comportada, com lanches e refrigerantes (na minha honestidade, não era um refrigerante do caminhão, mas um pelo qual eu pagava). Muitas risadas.
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Uma série de pensamentos do dia, não por sua profundidade, mas por sua concomitância em um mesmo trecho do tempo. Não consegui inspiração para escrever um conto, crônica. Talvez o conto dos contistas, escrito por um contista que no conto encarnava outro, tenha me retirado parte da inspiração. Começava os contos com ele, mas qualquer contista atilado saberia que o ele era ele mesmo, o autor. Tentava expulsar seus demônios interiores projetando-os em um ele fictício. Depois do “eu-lírico”, a melhor criação da literatura foi o “ele-alter ego”.
Publicado em 08 de março de 2008 às 10:33 por lcmanini