Eles falaram comigo. E muito. Por sua grandeza. Por sua intensidade. Por me penetrarem, mesmo por tuas fotos. Teus olhos. Não tem porque esconde-los atrás destes vidros. Queria-os para mim. Não sei se com ou sem você. Mas sempre teus olhos.
Admirei, por certo, tudo o que estava além deles. Sua inteligência. Seu falar calado, sua timidez sincera. Não poderia falar de sua sinceridade tímida, porque ela me rasgava em nossa conversa. Entendi o que querias dizer? Espero que sim, dentro do que eu gostaria de ter entendido. Não sei se te satisfez, mas a mim bastou.
Criança, parecemos uma feliz armadilha do destino. Te ensinei algumas coisas, você me faz alguns sorrisos. Brincamos de gato e rato? Ou será só meu desejo de ser teu rato, para que tu me persigas e eu, do baixo de minha condição, inverta os instintos e sinta prazer na caçada?
Ah criança, se pudesses ler meus pensamentos agora. Ser-te-ia muito obsceno ver tudo o que pensei? Talvez não, não pensei obscenidades. Mas pensei em nós. Talvez por mera vaidade do desejo, de querer-te por querer. Se te conheço? Quase nada. Se te quero? Queres amor, é isso? Se for assim, não sei dizer. Mas talvez.... A vida é uma seqüência de vários “talvez” que temos a coragem de assumir...
Publicado em 16 de março de 2008 às 22:42 por lcmanini