Não ver seu nome deixou de ser um martírio. Pelo menos para mim. No começo, ao imaginar apenas, minha imaginação buscava, em canto recanto da memória, a imagem que correspondesse ao que eu ouvia. Imaginei ser uma, não o era. Ao menos, não aparentava. Um golpe bem planejado? Para que? Bem mais simples seria falar-me. Eu não te ouvia? Talvez estivesse confuso.
Depois, deixei de acreditar em ti, como a mão trêmula que segurava o aparelho. Fria, suada, agarrava o telefone com mais força, para ouvir aquele alô que me seria surdo, em resposta. Gosta da minha voz? Ou espera apenas me tirar o sono?
Deixei de dormir há tempos; Observo apenas o mudar de cor das paredes, nas quais projeto cada visão que penso ter sobre ti, anônima. Espera que eu faça o que? Te diga para não desligar, que serei eternamente seu? Como? Se não te sei? Como, se vou trair a mim mesmo, ao jurar a ninguém o que poderia jurar a uma pessoa?
Ligue-me, cada vez mais constantemente. Continuarei a te imaginar, mordendo os lábios, insegura. Reconstruindo na minha voz a incerteza do seu pensamento. Imaginando malícias quando, do outro lado, não te respondo também. Ligue-me, e viveremos um amor surdo, sem traições. Ligue-me, e conte para elas o que não me ouviu, e que não te fará sofrer. E então seremos felizes.
Publicado em 12 de julho de 2008 às 12:09 por lcmanini
Beijos