O poder de cada idade está na proporção de suas convicções. E ela o sabia, pois dizia que achava, mas a tomava como verdade aquela resposta.
Supunha-o novo; pueril, melhor dizendo; bobo, simplificando. Achava-o infantil, pois lhe fugia. Ignorava algumas coisas. E irá ignorar, enquanto a idade não lhe chegar. Para ele, era apenas fingimento, para ela verdade, a ignorância da idade.
Irá lhe responder com fúria, pois ainda terá grande proporção de verdade em suas linhas, pois é próprio de sua idade, e acreditará a sua como definitiva, em suas idéias. Dirá que está errado, que é imbecil. E ele, em parte, acreditará. Para lhe dar o motivo pelo qual sumiu; só queria o descanso do esquecimento. Não queria alimentar monstros de vaidade, mas ser responsável com o que a ela dóia. Não desejava a culpa de lhe haver causado o choro, por alimentar seu próprio ego. Mas isso ela ignora(va).
Quis apenas maturar idéias, aplacar iras e a viu ir. Fe-la ir, por bem dizer. Para não ter de haver-se com sua consciência, que haveria de cobra-lo pelos feitos e não-feitos, ditos e desditos.
Doeu-te? A ele também, por toda parte de si que se desfiz, por medo à sua dor. Abriu mão de coisas que somente certa idade pode-lo-ia permitir-lhe fazer. Mas vai continuar a ser seu menininho de dez anos, se assim o desejar.
Publicado em 15 de julho de 2008 às 18:04 por lcmanini