Os últimos dias de férias são como aqueles primeiros da grande viagem que você faz, pela primeira vez na vida. Tudo parece estranho, mas existe uma sensação indecifrável no ar. Hoje, o dia amanheceu cinzento, morno, macilento. Uma triste nostalgia percorre tudo. Penso em tudo o que aconteceu há alguns dias, e me parece um passado longínquo, o qual me dá saudades.
De repente, penso no trabalho, e algo me parece irreal em tudo aquilo. Como se tudo já houvesse passado, como se nada mais fosse tangível. Como se em algum lugar tudo se perdera, e eu apenas pudesse achá-lo nos recantos das minhas memórias. Mas é nesse momento que tudo volta. A tensão do trabalho, as atividades por preparar, aquelas para serem concluídas, as cobranças, os prazeres e as dores.
Tudo isso me atormenta nesse dia cinzento, morno e macilento. O barulho dos carros e motos e computadores parece que se combinam numa sinfonia orquestrada para lançar-me ao desassossego. Um portão se abre, pés e pernas movem-se nervosamente por sobre o concreto que cobre a terra. E em alguns dias serão os meus e as minhas, caminhando cedo, com cheiro de orvalho e brisa, no clarear da manhã, que mover-se-ão rumo ao trabalho.
Entrarei no carro; a partida demorará segundos, como sempre; o carro partirá, e mentalmente executarei as tarefas que me são atribuídas a cada dia, para repeti-las dentro de instantes em algum recinto carregado de suor, de emoção, de tristeza (sim, eu me lembro a cada dia do que aconteceu naquela manhã, quando surpreendi-me com o nome do seu pai no jornal) e de barulho.
E mais um período se inicia, de novo! Ela esperará por mim, para ver-me entrar por aquela porta, esperando nervosamente meu tom de voz seco, por vezes agressivo, e com o qual ela sonha? Ele me esperará, para contar sobre cavalos e fazendas e desventuras rurais? Haverá o mesmo palavrório de sempre naquele lugar, com a benção da pizza frita toda quarta feira, pelo horário do almoço? Encontraremos o mesmo misto de desânimo, medo, empolgação alheia a tudo? É o que espero, para o resto de tudo...
Publicado em 22 de julho de 2008 às 13:59 por lcmanini