E um dia começou. Parecia passageiro, rápido. Necessário. Algumas pessoas agradeciam, outras maldiziam. Para que? Havia sua necessidade e precisão. Eu me tornava doente, algo me incomodava com a sua ausência. O céu estava escuro, cinza. Pesado. E não mudava. O humor das pessoas tornou-se escuro, cinza. Pesado.
Enfim, se acostumaram.
Acidentes ocorreram. Pessoas perdiam o controle em sua presença. Outras corriam, não se sabe se por medo ou para admira-la. Mas todos a notavam. Parecia uma daquelas grandes mulheres de alguma importância que aparecem para dar um brilho especial na festa. Mas sua presença longa fez o brilho sumir.
Apagou-se.
Tudo ficou baço, úmido, gelado. Inclusive eu. Algo me corroia, corroia o mundo, corria pela janela. Eu acompanhava seus traços, seus desenhos. Ouvia seus sons. Percebia sua presença. E não podia afastá-la. Não conseguia. Nem ninguém. E havia um medo. Tal qual a morte. Mas a morte é diferente. Ela vem ou aos poucos, ou de repente, e é irrevogável. Eu te vi, chegando ao longe. Achei que era por pouco. Tamborilei os dedos olhando lá fora.
A chuva durou muito tempo.
Publicado em 09 de agosto de 2008 às 19:24 por lcmanini