Ainda somos os mesmos!

GGM

Parece, às vezes, que encontro em mim um certo desespero. Do que, por que, em que... Jurava não saber. E talvez não saiba, ainda. Mas estou desconfortável.
Fosse talvez um desejo de voar, e voaria. Seria somente ir até a porta, e alçar vôo. Custaria o que? Algumas horas perdidas, o encontro com outros seres, voantes e insondáveis, mas nada que aplacasse a fúria do que quero agora.
Não pegaria em tapetes voadores de ciganos, porque os ciganos se foram, e com eles foi meu filho. Meu filho, aquele das seis voltas ao mundo, com o corpo coberto, inteiro. Neto de meu pai, com seu suave desprendimento de vida embaixo da castanheira, sublime, inerte. Sofria pela morte que causara, ou pela morte que morria?
Talvez fosse vontade ver minha filha, a eterna virgem; a minha neta, a minha bisneta. Mas poderia acalmar-me; abaixo-me e como a terra, tenra. Desfazem-se os torrões duros na liquidez da saliva, que penetra em cada espaço cavado antes pelos vermes da terra.
E então me sento, e escrevo, a você, GGM. Não procuro por todos os lados a imagem de que gostaria de ter aqui, para acha-la apenas em minha mente. Acho-me sozinho em mim mesmo, e me acompanho, e desfaço meus anos de solidão.

Sim, isso mesmo. Você entendeu corretamente. É inspirado e dedicado.

Publicado em 17 de maio de 2008 às 20:49 por lcmanini

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